Eixo 02
Revoluções sociais
Quando a disputa não é apenas por quem ocupa o governo, mas por quem tem direito à terra, ao salário, ao próprio corpo e ao reconhecimento como pessoa diante da lei.
A distinção entre revolução política e revolução social foi formulada de maneiras diferentes por várias gerações de pesquisadores. Uma formulação bastante difundida na sociologia histórica sustenta que a revolução social combina uma transformação rápida das estruturas de classe com uma mudança de Estado, e que essa combinação é rara. Outras correntes preferem falar em graus de profundidade, não em tipos separados.
Seja qual for a definição adotada, os processos reunidos neste eixo compartilham uma característica: eles mexeram na base material da desigualdade. Onde havia trabalho compulsório, passou a haver — ao menos formalmente — trabalho livre. Onde a terra pertencia a poucas famílias por herança, ela passou a ser objeto de redistribuição, negociação ou conflito armado.
Tratamos esses episódios com cuidado redobrado porque são os mais sujeitos a leituras simplificadoras, tanto para exaltar quanto para condenar. Nossa opção editorial é descrever o que os documentos registram, indicar quando os números são estimativas e explicitar as divergências entre pesquisadores em vez de escolher um lado e apresentá-lo como consenso.
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